Olá, leitores! Andei lendo a antiga versão do Café e achei uma postagem que diz, de novo, o que eu ando sentindo e pensando sobre o mundo ao meu redor. É curto e direto, espero que gostem/se identifiquem :D
"Sabe aquelas vezes em que você fica com vontade de mandar tudo e todos às favas, pra ñ dizer outra coisa? Pois é. Eu ando meio cansada de me importar com o que as pessoas querem ou sentem (sim, eu costumo me importar). Porque, se você parar pra pensar nisso, vai acabar se esquecendo do que VOCÊ quer. Eu posso estar sendo até cruel. Ou fria. Ou egoísta. Mas, e daí? Antes o que EU quero do que o que ELES querem. Não to dizendo que vou ferrar a vida de todo mundo. Só não vou me privar das minhas vontades pelas dos outros. Declaro guerra oficial em defesa das minhas vontades, e contra quem se opuser. Ninguém é santo nesse mundo, muito menos eu. E se alguém é santo, essa pessoa não deve ser lá muito feliz. Então, tá dado o aviso: não se meta no meu caminho, e não insista (uuuhh, que medo!)."
...Pronto, falei! xD
terça-feira, 22 de junho de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
A boneca
"Troque sua boneca usada por um desconto numa nova!"
Foi assim que a garotinha ficou vidrada na vitrine da loja de brinquedos do bairro, logo que terminou de ler o cartaz. Estava interessada naquela proposta, pois tinha mesmo uma velha boneca esquecida dentro do armário de seu quarto, meio empoeirada, com aquele cheiro característico das coisas que ficam algum tempo dentro de um armário. Seus olhos brilharam.
Chegando em casa, largou a mochila com o material escolar em cima da mesa da cozinha e foi logo pedindo à mãe:
- A gente pode trocar minha boneca, mãe? Aquela, lembra, que eu não brinco mais! Tem uma promoção na lojinha da rua da escola que eles tão dando desconto pra você comprar uma boneca nova, eu posso, eu posso? Deixa, mãe...
E a mãe, relutante, assentiu. Lá foram as duas com a pobre boneca, que, agora, era apenas parte do valor a se pagar por uma outra. Nenhum brinquedo se sentiria feliz assim.
- Filha, você vai trocar a sua boneca, mas por qual?
A garotinha se esquecera do principal. Qual boneca escolher... havia tantas! Prateleiras e prateleiras cheias delas; bonecas jorrando e formando cascatas sobre todas as paredes. O que eu faço, mãe?
- Fala pro vendedor ali como é a boneca que você quer, que ele vai te ajudar a achar - aconselhou a mãe, divertindo-se com a indecisão da filha.
Ela seguiu seu conselho. Foi falar com o rapaz que usava o crachá da loja.
- Moço, eu quero trocar minha boneca velha por uma nova.
Surpreso com a atitude da garotinha que, do alto de seus nove anos, olhava-o com impaciência, o vendedor respondeu:
- Que bom, então você veio ao lugar certo! Qual é a boneca que você quer? Já viu com a mamãe aquelas ali em cima? - e apontou para os últimos modelos de bonecas de pano que haviam chegado.
- Eu vi, mas não quero bem assim...
- Como você quer? É só falar que eu procuro lá no estoque e te trago.
Ela refletiu por alguns instantes.
- Eu queria uma boneca com um vestidinho claro, daquelas que falam coisas legais quando você aperta a mão delas e que não fosse nem muito grande, nem muito pequena, e que fosse fofinha de abraçar pra eu dormir - enumerou a exigente garotinha.
O vendedor, rindo consigo mesmo, inclinou-se na direção da boneca-moeda e apertou sua mão direita. Esta, muito alegre, respondeu:
- Boa noite! Tenha bons sonhos!
Ele disse à garotinha, ainda com um sorriso brincalhão:
-Mas olha pra sua boneca... ela é todinha como você queria.
Como num passe de mágica, uma boneca de algodão, muito macia, com um vestido claro salpicado de estrelas apareceu diante dos olhos incrédulos daquela criança. Ao reparar que não era truque algum - sua boneca era, de fato, assim - ela agradeceu ao vendedor meio sem jeito. Chamou pela mãe. E, assim, lá ia a garotinha segurando sua velha boneca nova pela mão.
Foi assim que a garotinha ficou vidrada na vitrine da loja de brinquedos do bairro, logo que terminou de ler o cartaz. Estava interessada naquela proposta, pois tinha mesmo uma velha boneca esquecida dentro do armário de seu quarto, meio empoeirada, com aquele cheiro característico das coisas que ficam algum tempo dentro de um armário. Seus olhos brilharam.
Chegando em casa, largou a mochila com o material escolar em cima da mesa da cozinha e foi logo pedindo à mãe:
- A gente pode trocar minha boneca, mãe? Aquela, lembra, que eu não brinco mais! Tem uma promoção na lojinha da rua da escola que eles tão dando desconto pra você comprar uma boneca nova, eu posso, eu posso? Deixa, mãe...
E a mãe, relutante, assentiu. Lá foram as duas com a pobre boneca, que, agora, era apenas parte do valor a se pagar por uma outra. Nenhum brinquedo se sentiria feliz assim.
- Filha, você vai trocar a sua boneca, mas por qual?
A garotinha se esquecera do principal. Qual boneca escolher... havia tantas! Prateleiras e prateleiras cheias delas; bonecas jorrando e formando cascatas sobre todas as paredes. O que eu faço, mãe?
- Fala pro vendedor ali como é a boneca que você quer, que ele vai te ajudar a achar - aconselhou a mãe, divertindo-se com a indecisão da filha.
Ela seguiu seu conselho. Foi falar com o rapaz que usava o crachá da loja.
- Moço, eu quero trocar minha boneca velha por uma nova.
Surpreso com a atitude da garotinha que, do alto de seus nove anos, olhava-o com impaciência, o vendedor respondeu:
- Que bom, então você veio ao lugar certo! Qual é a boneca que você quer? Já viu com a mamãe aquelas ali em cima? - e apontou para os últimos modelos de bonecas de pano que haviam chegado.
- Eu vi, mas não quero bem assim...
- Como você quer? É só falar que eu procuro lá no estoque e te trago.
Ela refletiu por alguns instantes.
- Eu queria uma boneca com um vestidinho claro, daquelas que falam coisas legais quando você aperta a mão delas e que não fosse nem muito grande, nem muito pequena, e que fosse fofinha de abraçar pra eu dormir - enumerou a exigente garotinha.
O vendedor, rindo consigo mesmo, inclinou-se na direção da boneca-moeda e apertou sua mão direita. Esta, muito alegre, respondeu:
- Boa noite! Tenha bons sonhos!
Ele disse à garotinha, ainda com um sorriso brincalhão:
-Mas olha pra sua boneca... ela é todinha como você queria.
Como num passe de mágica, uma boneca de algodão, muito macia, com um vestido claro salpicado de estrelas apareceu diante dos olhos incrédulos daquela criança. Ao reparar que não era truque algum - sua boneca era, de fato, assim - ela agradeceu ao vendedor meio sem jeito. Chamou pela mãe. E, assim, lá ia a garotinha segurando sua velha boneca nova pela mão.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
A dor latente
Tem dias em que me sinto estranha. Sinto um gosto amargo ao olhar para as paredes ao meu redor e a luz do sol que ilumina a sala se torna fria - uma quase penumbra, então, quando uma nuvem se põe sobre ele. Uma tristeza estranha toma conta do meu coração, e as mais alegres melodias soam irônicas. A tela brilhante do monitor cansa a minha vista mais rápido do que o normal, e assim forma-se uma nuvem negra, que emoldura todo o meu campo de visão e me atordoa. Me dá vontade de chorar, mas não consigo, porque meus olhos estão secos. Uma sensação morna de dia de mormaço, preguiça e cansaço me abate e drena minhas forças, transformando tudo em pensamentos ora nostálgicos, ora melancólicos.
Algumas vezes, estranhamente, me sinto assim, estranha. É, talvez, o medo que precede o fim de um ciclo. E, talvez, o medo de não saber o que virá de novo...
Algumas vezes, estranhamente, me sinto assim, estranha. É, talvez, o medo que precede o fim de um ciclo. E, talvez, o medo de não saber o que virá de novo...
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